{"id":879,"date":"2018-02-27T17:20:51","date_gmt":"2018-02-27T20:20:51","guid":{"rendered":"https:\/\/iem.adv.br\/?p=879"},"modified":"2018-03-01T15:12:10","modified_gmt":"2018-03-01T18:12:10","slug":"recuperacao-judicial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iem.adv.br\/home\/2018\/02\/27\/recuperacao-judicial\/","title":{"rendered":"RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL"},"content":{"rendered":"<p>A Lei n\u00ba 11.101\/2005 substituiu o antigo instrumento da concordata, criado em 1945, valendo-se de novos caminhos para que uma sociedade empresarial em crise possa se reerguer ao possibilitar a renegocia\u00e7\u00e3o das suas d\u00edvidas e a reestrutura\u00e7\u00e3o das suas atividades para que o passivo n\u00e3o se torne insustent\u00e1vel. Na pr\u00e1tica, percebe-se que os motivos que levam uma empresa a requerer sua recupera\u00e7\u00e3o judicial se dividem em tr\u00eas partes, depende sempre do momento e do objetivo que se pretende conquistar:<\/p>\n<ul>\n<li>A primeira est\u00e1 relacionada a empresa que, enxergando uma situa\u00e7\u00e3o na qual seus indicadores econ\u00f4mico-financeiros evidenciam que est\u00e1 caminhando para uma crise, requer sua recupera\u00e7\u00e3o judicial de modo a sanar suas atividades antes mesmo que tenha que se socorrer de opera\u00e7\u00f5es financeiras com as quais nem sempre consegue honrar. Esse modelo \u00e9 pouco utilizado no Brasil.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Esse \u00e9 o melhor momento para o ajuizamento da medida de recupera\u00e7\u00e3o, uma vez que a empresa ainda n\u00e3o possui um passivo expressivo e goza de credibilidade perante seus credores e seus agentes financeiros para as medidas log\u00edsticas e administrativas da recupera\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que nenhum credor deseja se submeter a um plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, pois, no m\u00ednimo e com sorte, ter\u00e1 que esperar 180 dias para que os pagamentos se iniciem, al\u00e9m de outros fatores pr\u00f3prios da a\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Obviamente, nenhuma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 igual \u00e0 outra, mas podemos afirmar que a recupera\u00e7\u00e3o judicial ajuizada nesse est\u00e1gio inicial da crise tem mais chances de ser realmente eficaz na recupera\u00e7\u00e3o da empresa que aquela requerida defensivamente, que \u00e9 a segunda raz\u00e3o que ser\u00e1 demonstrada a seguir.<\/p>\n<ul>\n<li>Por ter t\u00edtulos protestados que somam ao menos 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, ou por n\u00e3o possuir bens para indicar \u00e0 penhora ou disponibilidade de caixa para depositar a quantia executada, sendo que o devedor entra em uma zona de risco, na qual seus credores podem pedir sua fal\u00eancia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ainda que muitos dos credores, ao requererem a quebra de uma empresa, o estejam fazendo unicamente para pressionar o devedor a pagar a d\u00edvida, se esta n\u00e3o for paga ou repactuada, a fal\u00eancia ser\u00e1 decretada, ou seja, um cen\u00e1rio de grande risco acaba se instalando.<\/p>\n<p>Se o devedor possuir recursos para quitar a d\u00edvida no ato ou se tiver um fluxo de caixa que comporte a renegocia\u00e7\u00e3o do d\u00e9bito, certamente optar\u00e1 por uma dessas sa\u00eddas para n\u00e3o deixar que seja decretada a fal\u00eancia de sua empresa.<\/p>\n<p>Fazendo isso, o empres\u00e1rio acena ao mercado que, se for ajuizado um pedido de fal\u00eancia contra sua empresa, ele dar\u00e1 algum jeito de pagar a d\u00edvida para evitar a quebra, incentivando, assim, a possibilidade de que todos os demais credores fa\u00e7am a mesma coisa para receberem seus respectivos cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Quando o devedor requer sua recupera\u00e7\u00e3o judicial em defesa a um pedido de fal\u00eancia, \u00e9 for\u00e7oso se concluir que, em primeiro lugar, a d\u00edvida \u00e9 v\u00e1lida, n\u00e3o comportando defesa que afaste a possibilidade de quebra, e, em segundo, que n\u00e3o h\u00e1 caixa dispon\u00edvel para pagamento da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio em que o aperto de caixa limita o espa\u00e7o para manobras, o sucesso da recupera\u00e7\u00e3o judicial depender\u00e1 da imposi\u00e7\u00e3o de duras condi\u00e7\u00f5es de pagamento aos credores, o que pode tornar a aprova\u00e7\u00e3o do plano invi\u00e1vel se o processo n\u00e3o for bem conduzido pelos profissionais contratados pelo devedor.<\/p>\n<ul>\n<li>A terceira raz\u00e3o para se requerer uma recupera\u00e7\u00e3o judicial, embora presente desde o in\u00edcio da vig\u00eancia da Lei n\u00ba 11.101\/2005, come\u00e7ou a ter mais for\u00e7a com a crise econ\u00f4mica pela qual o Brasil est\u00e1 passando e com a consequente desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estabelece a lei que se o plano de recupera\u00e7\u00e3o prev\u00ea a aliena\u00e7\u00e3o de uma filial ou unidade produtiva isolada do devedor, o juiz determinar\u00e1 que se fa\u00e7a um leil\u00e3o, no qual o arrematante n\u00e3o ser\u00e1 sucessor de qualquer d\u00edvida, seja trabalhista, fiscal, banc\u00e1ria ou de qualquer outra natureza.<\/p>\n<p>Assim, o arrematante dessa filial ou unidade produtiva isolada sabe ao certo o que est\u00e1 comprando, tendo o conforto e a seguran\u00e7a de que n\u00e3o ser\u00e1 surpreendido no futuro por alguma divida ocultada.<\/p>\n<p>Hoje em dia \u00e9 bem comum que fundos de investimentos, interessados em comprar empresas, exijam que elas requeiram recupera\u00e7\u00e3o judicial, de modo a garantir que os ativos a serem adquiridos n\u00e3o sejam contaminados por d\u00edvidas do passado.<\/p>\n<p>Esse, portanto, tem sido mais um motivo que explica o recorrente aumento dos requerimentos de recupera\u00e7\u00e3o judicial nos \u00faltimos semestres.<\/p>\n<p>Por fim, vale ressaltar que esses tr\u00eas motivos para se requerer uma recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o s\u00e3o excludentes entre si, podendo ocorrer de forma cumulativa.<\/p>\n<p>Independentemente disso, a empresa deve sempre buscar assessoria de profissionais especializados na mat\u00e9ria, j\u00e1 que a \u201cdoen\u00e7a\u201d da crise pode ser agravada se o diagn\u00f3stico e o rem\u00e9dio receitado forem errados.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/iem.adv.br\/direito-empresarial\/\">Podemos ajudar o seu neg\u00f3cio! Saiba mais.\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Lei n\u00ba 11.101\/2005 substituiu o antigo instrumento da concordata, criado em 1945, valendo-se de novos caminhos para que uma sociedade empresarial em crise possa se reerguer ao possibilitar a renegocia\u00e7\u00e3o das suas d\u00edvidas e a reestrutura\u00e7\u00e3o das suas atividades para que o passivo n\u00e3o se torne insustent\u00e1vel. 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