{"id":1,"date":"2015-05-12T14:14:23","date_gmt":"2015-05-12T14:14:23","guid":{"rendered":"http:\/\/direitodostripulantes.com.br\/?p=1"},"modified":"2017-11-13T14:19:44","modified_gmt":"2017-11-13T16:19:44","slug":"arealidadedotrabalhoemnaviosdecruzeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/iem.adv.br\/home\/2015\/05\/12\/arealidadedotrabalhoemnaviosdecruzeiros\/","title":{"rendered":"Reportagem: &#8220;A Realidade do Trabalho em Navios de Cruzeiros&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Reportagem do Jornal Di\u00e1rio do Litoral &#8220;<a href=\"http:\/\/www.diariodolitoral.com.br\/conteudo\/32686-a-realidade-do-trabalho-em-navios-de-cruzeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Realidade do Trabalho em Navios de Cruzeiros<\/a>&#8221;<\/p>\n<p>O sonho era o de conhecer o mundo e, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro. Mas a realidade dos tripulantes, os chamados \u2018crew\u2019, que fazem os trabalhos mais pesados nos navios de cruzeiro, \u00e9 outra. Welber Silveira embarcou com esse sonho e deu de cara com a dura realidade do trabalho em alto-mar. Hoje, ele est\u00e1 com processo contra uma das empresas para a qual prestou servi\u00e7os durante dois anos.<\/p>\n<p>O sonho vira pesadelo a come\u00e7ar pela carga hor\u00e1ria de trabalho. Diferente do que as empresas agenciadoras informam durante as etapas de entrevista para a contrata\u00e7\u00e3o, o tripulante pode chegar a trabalhar at\u00e9 16 horas por dia dentro de um navio. E n\u00e3o 11 horas, como s\u00e3o informados os interessados em trabalhar em alto-mar. \u201cO trabalho \u00e9 pesado e temos poucas horas de descanso\u201d, conta Welber.<\/p>\n<p>N\u00e3o existem folgas. Ou, o que \u00e9 chamado de folga s\u00e3o os dias que o tripulante n\u00e3o precisa trabalhar 16 horas, \u201cmas pelo menos oito (horas)\u201d, diz o ex-tripulante.<\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios de cruzeiros tamb\u00e9m n\u00e3o veem a cor do dinheiro das horas extras trabalhadas. As empresas n\u00e3o pagam esse benef\u00edcio, segundo Welber.<\/p>\n<p>Mas o principal fator que fez com que o ex-tripulante resolvesse entrar na Justi\u00e7a contra uma das empresas de cruzeiro em que trabalhou foi o tratamento que recebeu de seus superiores. \u201cNos navios, os chefes tratam os empregados como animais, xingam em outras l\u00ednguas para os passageiros n\u00e3o entenderem\u201d, conta.<\/p>\n<p>Welber sentiu na pele o que era se esfor\u00e7ar com o trabalho pesado que exercia como assistente de gar\u00e7om e, ainda assim, ser destratado por seus superiores. A gota d\u2019\u00e1gua, que resultou na desist\u00eancia do seu \u00faltimo contrato como tripulante, foi o tratamento que recebeu quando ficou gravemente doente dentro da embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por causa do estresse que passava, o ex-tripulante desenvolveu um princ\u00edpio de \u00falcera no est\u00f4mago. No entanto, o m\u00e9dico do navio o diagnosticou com gripe e apenas o medicava com paracetamol. \u201cPara todos os sintomas que a pessoa apresente, a medica\u00e7\u00e3o que eles (os m\u00e9dicos das embarca\u00e7\u00f5es) aplicam \u00e9 o paracetamol\u201d, ressalta Welber.<\/p>\n<p>No terceiro dia de repouso, Welber foi obrigado por seu superior a voltar a trabalhar. At\u00e9 que chegou a desmaiar dentro do restaurante e acabou desembarcando do navio para ser atendido em um hospital em Barcelona, na Espanha. \u201cFoi a\u00ed que eu consegui, finalmente, romper meu contrato com o navio e me desvencilhar da empresa\u201d, diz Welber.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o epis\u00f3dio, ele voltou para o Brasil. Hoje, com 31 anos, Welber trabalha como instrutor de auto-escola em Santos e n\u00e3o pensa em voltar a trabalhar em cruzeiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o vale a pena<\/strong><\/p>\n<p>Marcelly Santanna, de 28 anos, compartilha do mesmo sentimento de Welber e n\u00e3o pensa mais em trabalhar em navios. Ap\u00f3s cumprir quatro contratos de trabalho em alto-mar, ela diz que a experi\u00eancia n\u00e3o vale a pena.<\/p>\n<p>Formada em hotelaria, Marcelly trabalhou nas duas maiores empresas de cruzeiros que atendem hoje a costa brasileira. A experi\u00eancia que ela teve \u00e9 muito parecida com a de Welber.<\/p>\n<p>\u201cA gente foi avisado, antes de embarcar, que o trabalho seria pesado, mas eu n\u00e3o pensava que fosse tanto\u201d, diz. O dia a dia dentro do navio era, basicamente, voltado ao trabalho. Como assistente de gar\u00e7om, ela exercia a fun\u00e7\u00e3o de 14 a 16 horas por dia, com curtos per\u00edodos de descanso.<\/p>\n<p>As folgas, quando apenas trabalhava algumas horas a menos por dia, Marcelly tirava de dois em dois meses.<br \/>\nO conselho da ex-tripulante \u00e9: \u201cvai imaginando o pior. O que for de bom, a pessoa vai sair no lucro\u201d, diz.<\/p>\n<p>Hoje, Marcelly mora em Santos e trabalha com seguradoras.<\/p>\n<p><strong>Direitos<\/strong><\/p>\n<p>Welber e Marcelly s\u00e3o apenas dois dos 40 casos que o advogado especialista em direitos dos tripulantes, Adriano Ialongo, trata. Sobre as reclama\u00e7\u00f5es que eles relataram \u00e0 reportagem do Di\u00e1rio do Litoral, Adriano diz: \u201cvoc\u00ea pode entrevistar dezenas de pessoas que trabalharam em cruzeiros. Todas v\u00e3o falar a mesma coisa\u201d.<\/p>\n<p>Adriano explica que os brasileiros que embarcam para trabalhar em cruzeiros n\u00e3o s\u00e3o registrados com base na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), que rege o Direito do trabalho e o Direito processual do trabalho no Brasil. Por isso acontece a explora\u00e7\u00e3o dos tripulantes a bordo. \u201cPrimeiro que o contrato de trabalho \u00e9 em ingl\u00eas e n\u00e3o na l\u00edngua nativa dos candidatos que v\u00e3o embarcar, no caso dos brasileiros, em portugu\u00eas. A bordo, as empresas cumprem as regras da bandeira do navio\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para Adriano, falta no Brasil uma lei que regulamente o trabalho desses profissionais. \u201cAs empresas de cruzeiro t\u00eam que respeitar as regras trabalhistas estabelecidas no nosso pa\u00eds, se quiserem contratar brasileiros\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>O advogado recomenda ao tripulante que tenha a inten\u00e7\u00e3o de recorrer \u00e0 Justi\u00e7a que procure mover a a\u00e7\u00e3o assim que desembarcar do navio. \u201cO prazo para mover uma a\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 de 2 anos contados da rescis\u00e3o do contrato\u201d, explica Adriano.<\/p>\n<p>Gostou do artigo? <a href=\"https:\/\/iem.adv.br\/2015\/07\/19\/jurisprudencia-do-tribunal-superior-do-trabalho\/\">Leia tamb\u00e9m:\u00a0Jurisprud\u00eancia do Tribunal Superior do Trabalho<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem do Jornal Di\u00e1rio do Litoral &#8220;A Realidade do Trabalho em Navios de Cruzeiros&#8221; O sonho era o de conhecer o mundo e, ao mesmo tempo, ganhar dinheiro. 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